domingo, 10 de junho de 2012

Certificação pode melhorar os resultados?

"Defendo a certificação como um diferencial competitivo a ser propagado aos quatro ventos para impulsionar a imagem institucional. Porém, isso deve ser consequência e não motivação".

Se não for este o objetivo da governança da instituição – melhorar resultados – não faz sentido requerer ou perseguir uma certificação de qualidade. O processo de auditoria e a entrega do certificado são o meio, e não o fim (como ainda são encarados em um grande número de serviços hospitalares). Melhor que isso: são o começo de uma nova etapa, na qual não se deve admitir a execução de um processo – seja ele assistencial, produtivo, operacional, técnico, administrativo ou de comunicação e informação – sem o foco na qualidade total! Garantir a qualidade na entrega do serviço.
A certificação – ou acreditação, como é chamada no setor hospitalar – deve ser decidida pelo Conselho de Administração; que, por sua vez, avaliará as opções disponíveis e optará pela mais adequada ao cenário institucional. De fazer parte da estratégia do serviço de saúde e servir como o farol da instituição na busca por maior competitividade, minimização dos riscos relacionados a todos os stakeholders e construção da sustentabilidade.
Feito de maneira superficial, o processo de busca e obtenção por um “selo” de qualidade terá seus alicerces colocados em bases falsas e movediças, frágeis o bastante para sucumbir rapidamente. O mesmo acontecerá caso se almeje a certificação pura e simplesmente como estratégia de Marketing, para mostrar “valor agregado”. Defendo a certificação como um diferencial competitivo a ser propagado aos quatro ventos para impulsionar a imagem institucional. Porém, isso deve ser consequência e não motivação.
Decidir-se pela certificação tendo em mente a mudança positiva e o crescimento da organização é um caminho extraordinário para melhorar a gestão visando aprimorar o desempenho. Através da busca ininterrupta pela melhoria contínua, o ponto chave está na aplicação correta de todos os processos desenvolvidos na organização.
Com o foco na melhoria contínua se descobre mais facilmente os desvios e os gargalos de ações mal desenvolvidas internamente. Por isso é vital que sejam feitos os devidos registros dessas ações, que passarão a ser denominadas “não-conformidades”. O GNC, ou Gerenciamento de Não-Conformidades, constitui-se hoje num dos dogmas da gestão voltada para resultados. É somente a partir do registro do erro e da projeção de suas consequências, bem como da análise de suas causas e efeitos, que se conseguirá desenvolver ações para combatê-lo, eliminá-lo e, quem sabe, até mudar radicalmente processos.
Vejo o registro e as intervenções sobre os erros como a principal matéria-prima para aprimorar as pessoas, através de programas de capacitação e educação continuada. Não existe melhor ferramenta para correção de deficiências do que atuar diretamente sobre elas e sobre as não-conformidades diagnosticadas, ou seja, atuação implacável sobre a raiz, as causas e não sobre os efeitos. Outro impacto positivo e vital dessa prática é o gerenciamento dos riscos, aumentando consideravelmente o nível de segurança para os clientes e todos os envolvidos nas atividades do dia-a-dia do hospital. Aliás, o que vale é o quanto consigo evitá-los e preveni-los e não somente atuar sobre os já acontecidos.
Para concluir, dirijo-me agora aos responsáveis “número 1” das corporações: a decisão de conduzir a instituição para a acreditação deverá ser unicamente sua, como propósito de perenizar o negócio e oferecer sustentabilidade à companhia, jamais para saciar seu apetite meramente mercadológico ou de imagem. Uma vez tomada a decisão, você será o responsável pela condução do processo. O leme estará em suas mãos e somente você será o comandante!

Humanização do atendimento é principal motivo pela busca da Acreditação

Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Gestão em Gestão de Serviços de Saúde analisou as principais razões para que os hospitais escolham entre as certificações ONA, JCI e Canadense.

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Gestão em Gestão de Serviços de Saúde denominada Panorama da Acreditação. O estudo traçou um panorama com um rol de itens que contemplam os possíveis motivos para se escolher determinada acreditação.
A pesquisa foi realizada com 101 hospitais acreditados, correspondendo a 66% do total de instituições que possuem certificação no Brasil. E contemplou as acreditações ONA, JCI, e Certificação Canadense.
Das instituições entrevistadas, os critérios foco no atendimento humanitário e foco no gerenciamento da rotina do hospital são as razões mais apontadas para a escolha das três acreditações analisadas.  
Quanto à percepção dos gestores em relação a estes selos a questão trabalhar fortemente a questão de times assistenciais foi um dos itens que mais pesou para aqueles que escolheram acreditações internacionais.
 A questão trabalhar fortemente a questão de times assistenciais foi um dos itens quemais pesou para aqueles que escolheram as acreditações internacionais JCI ou Canadense e este aspecto não se mostrou relevante para aqueles que escolheram a ONA, relativamente às demais alternativas de justificativas para a escolha desta acreditação.
O item foco na melhoria dos processos pesou bastante para a decisão pela ONA (18%) e também ficou entre os mais relevantes para a escolha da Canadense (8%). É interessante observar que este item não ficou entre os mais relevantes para a escolha da JCI.
Por último, observa-se que a “aceitação pelos médicos” surgiu como relevante apenas para a escolha da JCI, não tendo relevância para a escolha das demais acreditações.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pesquisa revela dificuldades no processo de Acreditação na Saúde

Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Gestão em Gestão de Serviços de Saúde mostra que os principais percalços pelos quais as instituições passam são de ordem cultural e técnica.


Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Gestão em Gestão de Serviços de Saúde denominada Panorama da Acreditação Hospitalar no Brasil identificou as principais dificuldades enfrentadas pelos hospitais participantes de um processo de acreditação.

Os principais percalços identificados são relacionados a problemas de natureza cultural e técnica das instituições.
Veja a seguir :
1.  Desenvolvimento da cultura da gestão da qualidade
2.  Criação de uma cultura de registro, de formalização dos processos
3.  Criação de uma cultura de qualidade no hospital

4.  Criação de uma cultura da mensuração
5.  Desenvolvimento do trabalho em equipe e a multidisciplinaridade
6.  Adequação do hospital, em termos de estrutura, às especificações

7.  Resistência do corpo clínico aberto

8.  Comunicação interna da importância do processo de acreditação
9.   Resistência do corpo clínico interno

10. Adequar as especificações da certificação à cultura

É neste momento que uma Consultoria contribui no processo de implantação, pois são pessoas fora do ambiente de trabalho, que enfrenta as mesmas dificuldades e acaba adotando a sua metodologia ao grau de dificuldade de cada cliente.

Quando tentamos fazer sozinhos, o processo emperra, pois devido a estas dificuldades, o Representante da Qualidade acaba por desanimar devido aos obstáculos no relacionamento.

A RD Consultoria possui soluções importantes para cada uma destes obstáculos.

Ronaldo Damaceno


Pathos Diagnóstico Médicos Consegue Acreditação com a RD Consultoria


A RD Consultoria parabeniza ao Laboratório PATHOS DIAGNÓSTICOS MÉDICOS pela indicação da ONA nível I no último dia 22/05/2012. Foram 12 meses de preparação que trouxeram muitas alegrias, uma vez que as trocas de experiências ocorreram, aprimorando várias metodologias, tanto da RD quanto do Laboratório.

A equipe de colaboradores comanda por Edna Candin, Eduardo Coe, João Gonçalves e para a direção Dra Nazareth, Augusto, Dra Olívia e Dr Paulo Grimaldi, que tiveram uma dedicação intensa do início ao fim. Agradecemos mais uma vez a confiança de todos e esperamos que este seja apenas o primeiro desafio de muitos na busca da melhoria contínua de um Sistema de Gestão da Qualidade.

Acreditamos que o seguimento da Anatomia Patológica ganha muito com esta acreditação, diferenciando ainda mais os prestadores de serviços.

sábado, 21 de abril de 2012

Laboratório Gilles Landman conquista ONA


A RD Consultoria parabeniza ao Laboratório Gilles Landman pela indicação da ONA nível II no último dia 20/04/2012. Foram 12 meses de preparação que trouxeram muitas alegrias, uma vez que as trocas de experiências ocorreram, aprimorando várias metodologias, tanto da RD quanto do Laboratório.

A equipe de colaboradores comanda por Maria Luisa Landman e por seu Pai, Dr Gilles Landman, tiveram uma dedicação intensa do início ao fim. Agradecemos mais uma vez a confiança de todos e esperamos que este seja apenas o primeiro desafio de muitos na busca da melhoria contínua de um Sistema de Gestão da Qualidade.

sábado, 14 de abril de 2012

Por que a acreditação hospitalar no Brasil não decola?

De acordo com o SINDHRio, enquanto nos Estados Unidos há cerca de 26 mil hospitais acreditados, no Brasil apenas 48 - 50% no Estado de São Paulo e o restante no Rio de Janeiro e Minas Gerais.Embora sua criação no Brasil remonte ao ano de 1995, o Programa de Acreditação Hospitalar ganhou força e repercussão no país após o ano de 2001. Este surgiu como uma figura peculiar de certificação destinada às instituições de saúde, aferido através de um método de avaliação voluntário, periódico e reservado dos recursos institucionais de cada hospital para garantir a qualidade da assistência por meio de padrões previamente definidos.
Dentre os seus grandes benefícios destaca-se um maior primor com a profissionalização, ética e qualidade do atendimento prestado pelos estabelecimentos e profissionais da área de saúde.
Soma-se a este cabedal de ganhos o incentivo financeiro capitaneado pelo BNDES, norma 636/2002, que garante linha de crédito atraente e específica para os hospitais participantes deste processo de certificação.
Todavia, os estabelecimentos no Brasil voltados para cuidados com a saúde antrópica seguem na contramão destas benesses. De acordo com o SINDHRio, enquanto nos Estados Unidos há cerca de 26 mil hospitais acreditados, no Brasil apenas 48 (50% no Estado de São Paulo e o restante no Rio de Janeiro e Minas Gerais) possuem esta certificação.
Um estudo realizado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em 2009, mostrou que, entre 158 hospitais paulistas, 75% descumpriam procedimentos essenciais para evitar infecções, tais como esterilização de materiais.
O estudo constatou ainda que dos 927 hospitais do Estado de São Paulo, 816 têm critérios para notificar infecção hospitalar; e destes hospitais que possuem critérios, 82% fizeram notificações, segundo informação colhida junto a Divisão de Infecção Hospitalar da Secretaria de Saúde/SP.
Vale chamar atenção ainda para o fato de que, atualmente, no Canadá, existem cerca de 92% de hospitais acreditados, consoante informado pelo diretor nacional do Instituto Qualisa de Gestão (IQG), Rubens Covello.
Assim, convém questionar qual o motivo para o retrocesso das instituições brasileiras no campo da acreditação. A resposta para esta indagação obrigatoriamente deverá incluir todo o panorama procedimental para a implementação do programa.
Inicialmente, deve-se observar que no Brasil não existe legislação exigindo a implementação da acreditação, ao contrário do que ocorre em outros países. A esparsa normatização existente apenas regulamenta o modo como este procedimento certificatório se desenvolverá, a exemplo da Resolução 93/2006 (Anvisa), mas não estabelecem quais instituições são obrigadas a adotar este procedimento e em qual prazo, excluindo ainda aqueles que se beneficiam parcial ou integralmente do erário.
Neste contexto vale afirmar que as principais fontes pagadoras brasileiras (planos de saúde e erário público) igualmente não exigem que os centros de saúde sejam creditados, ao contrário da realidade francesa e americana.
Soma-se a isto o fato de que esta certificação implica no dever de maior vigilância das normas de higiene e segurança, o que pode ocasionar certos dissabores entre os profissionais e até mesmo pacientes, em virtude do choque cultural.
A questão econômica não poderia ficar excluída destes indicadores. O custo é determinado pelo tamanho e complexidade do hospital, número de avaliadores e a duração da avaliação. De acordo com a Joint Commission International (JCI), principal agência internacional de acreditação, no ano de 2010, o valor médio do procedimento para hospitais de pequeno e médio porte foi de US$ 46.000,00.
A questão econômica possui outros desdobramentos, alguns inusitados, como o custo com lavanderias, tal como ocorrera com o Hospital Israelita Albert Einstein. De acordo com informações da JCI, a instalação de lavandeiras internas traz risco de incêndio, e por este motivo, o Hospital terceirizou todo o serviço de lavanderia, com vista a ser certificado.
De outro modo, todo este empenho com vista a obtenção deste selo é totalmente salutar para fomentar a cultura da segurança nas relações entre os centros de saúde e paciente. O Consórcio Brasileiro de Acreditação lembra a importância deste por criar novos mecanismos de negociação junto às fontes pagadoras, com base em dados relativos à melhoria e garantia qualidade do cuidado.
Ressalte-se que esta certificação decorrente da implementação do Programa de Acreditação Hospitalar, não é uma forma de fiscalização, mas sim um programa de educação continuada, cujo objetivo principal é aumentar a segurança na relação entre hospital e paciente.

*Maurício Melo Santos. Advogado. Membro do Núcleo Saúde do MBAF Consultores e Advogados, escritório membro da REDE LEXNET.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Só metade dos laboratórios tem controle de qualidade


6/03/2012 - 11h41
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CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Menos da metade dos 16 mil laboratórios de diagnóstico do país tem controles internos de qualidade, e apenas uma parcela mínima (2%) passa por auditorias externas (acreditadoras) que avaliam seus processos. O setor movimenta R$ 12 bilhões por ano.

Os dados, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), ajudam a explicar o número de ações por erros de exames clínicos e de imagem que tramitam nos Tribunais de Justiça do país.
Entre 2000 e 2007, houve 1.509 processos contra laboratórios, segundo pesquisa nacional feita pelo bioquímico Humberto Tibúrcio, do Sindlab (Sindicato dos Laboratórios de Minas Gerais).

Já entre 2008 e o início deste ano, a Folha localizou 1.780 ações (julgadas em segunda instância, a única que permite pesquisa livre) por danos morais contra o setor da medicina diagnóstica.

Só no Tribunal de Justiça de São Paulo, foram 449 processos, 72% deles especificamente sobre denúncias de erros de exames. Testes falso-positivos de HIV, hepatites, sífilis, gravidez e DNA lideram as queixas (38% delas).

Muitos exames têm limitações metodológicas. No caso do HIV, há mais de 70 fatores que podem causar uma reação falso-positiva, incluindo a gripe e a gravidez.
Por isso, o procedimento padrão em casos de resultado positivo para HIV é fazer a contraprova por meio de outro tipo de exame, o Western Blot. O Ministério da Saúde recomenda que os laboratórios avisem os pacientes sobre a limitação do exame.
"Todo mundo sabe que tem de fazer aconselhamento do paciente, mas poucos fazem", afirma Tibúrcio.

Nas ações, há também queixas de trocas de laudos (a imagem é de um paciente, e o laudo de outro) ou erros de resultados (positivo por negativou vice e versa) e de exames que apontam, erroneamente, um câncer.

Em um papanicolaou de rotina, por exemplo, Ismênia Costa recebeu o diagnóstico de câncer de colo de útero em estágio avançado (grau 3).
Editoria de arte/ Folhapress

INDENIZAÇÃO

O ginecologista pediu uma biopsia, que deu negativa. Solicitou, então, que ela repetisse o exame no mesmo laboratório. O resultado dessa vez, veio negativo. O laboratório foi condenado a pagar indenização de R$ 60 mil.
"Erros de laboratórios são evitáveis na maioria das vezes. No Brasil, a gente não está tratando bem essa questão", diz Wilson Shcolnik, diretor de acreditação e qualidade da SBPC/ML.

A partir de setembro, por resolução da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), os planos terão que divulgar quais os laboratórios da sua rede são qualificados.
Segundo Shcolnik, a fase pré-analítica é a que apresenta maiores taxas de erros (entre 54,5% e 88,9%, segundo estudos internacionais).

"Não tem melhoria só com maquinário. A qualidade está na educação continuada", diz Humberto Tibúrcio.

Soluções de Qualidade em Saúde