terça-feira, 27 de novembro de 2012

Acreditação ONA chega ao Amapá e Mato Grosso do Sul


O segundo semestre de 2012 foi especialmente produtivo para a ONA - Organização Nacional de Acreditação. Além do crescimento acentuado das certificações válidas em todo o país, o Sistema Brasileiro de Acreditação registrou o ingresso de organizações de saúde em dois estados que até este ano não tinham nenhum serviço acreditado: Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste e Amapá, na região Norte.

Para o presidente da ONA, Luiz Plinio Moraes de Toledo, o aumento da cobertura para todo o território brasileiro, faz parte dos objetivos da organização e o ingresso dos dois estados caminha nessa direção. Ele ressalta também que a procura pela acreditação confirma a preocupação com a qualidade e a segurança dos serviços de saúde, "uma tendência que está se consolidando cada vez mais".

Em Campo Grande, Hospital do Coração é o primeiro serviço acreditado 

Com 49 anos de atividades e há 21 anos sendo administrado pelo Grupo Procárdio, o Hospital do Coração de Mato Grosso do Sul, é a primeira instituição de saúde do Estado a receber a acreditação ONA. Equipado com Centro de Diagnósticos Avançados, Centro Cirúrgico, consultórios e pronto atendimento, o hospital, que conta com 64 leitos,  registrou 4.231 internações e 2.950 cirurgias no último ano, além de 26.311 consultas médicas.
Até receber a Acreditação, no início deste semestre, o hospital passou pelo processo que levou 2 anos, em razão da necessidade de adequação em algumas áreas. As principais adaptações foram o aperfeiçoamento de procedimentos já existentes e a implantação de novos protocolos, como explica Renata Rezende, administradora do Hospital: "A gestão de qualidade e segurança do paciente já fazia parte de nosso trabalho e os padrões ONA nos ajudaram a aperfeiçoá-lo. Para isso, desenvolvemos os mapas de processos e identificamos os riscos das unidades. Também foi feito um trabalho constante de sensibilização para notificação dos eventos, trabalhando e desenvolvendo com nossos colaboradores a gestão pró-ativa e a percepção do senso crítico".
Segundo Renata Rezende, a construção de equipes sólidas e a promoção da maior segurança aos pacientes e profissionais, foram alguns dos grandes avanços decorrentes do processo de certificação. Entre os procedimentos adotados ou aperfeiçoados, ela destaca os protocolos de dor torácica, onde a estratégia é baseada em evidências que contribuem para a detecção e tratamento precoce das Síndromes Coronarianas Agudas e orientam a tomada de decisões da equipe; e o protocolo de deteriorização clínica nas unidades de internação/time de resposta rápida – que permite a detecção precoce de deterioração clínica dos pacientes nas unidades de internação.
O processo para a acreditação resultou, ainda, na implantação da Farmácia Clínica, com o objetivo de garantir o uso correto do medicamento, reduzindo o tempo de internação e melhorando a adesão ao tratamento; Segurança cirúrgica – que inclui ações de consulta de enfermagem pré-operatória; uso de antibiótico para profilaxia cirúrgica; conferência e marcação do membro a ser operado e vigilância cirúrgica. Outros setores, como as comissões de Revisão de Óbitos; Revisão de Prontuários; Comitê Hemoterápico e Comissão de Ética Médica, também passaram por aperfeiçoamentos.
"Buscamos a Acreditação porque, como profissionais de saúde, trabalhamos para oferecer assistência de qualidade", afirma a administradora do hospital. "Entendemos a certificação como um caminho seguro para consolidar a meta de melhoria contínua e temos a expectativa de alcançar o padrão mais elevado de desempenho, tendo como parâmetro a satisfação das pessoas que recebem nosso atendimento".

Hospital São Camilo e São Luís coloca Amapá no mapa da ONA

No Macapá, o Hospital São Camilo e São Luís (HSCSL) também foi a primeira instituição acreditada pela ONA no Estado do Amapá. Inaugurada em 1969, a instituição é resultado de uma obra missionária que começou com atendimento ambulatorial e atualmente possui 188 leitos, incluindo 10 leitos de UTI Adulto e 9 de UTI Neonatal. Credenciado junto ao Sistema Único de Saúde (SUS), que representa 60% do movimento total, o hospital considerado de referência no Estado, realiza atendimento nas especialidades de alta e média complexidade. Em setembro foram registrados 6.683 atendimentos ambulatoriais, 6.435 no pronto atendimento, 387 procedimentos cirúrgicos, 362 partos e 46.360 exames.
O processo para certificação do hospital teve início em 2007, exigindo adequações nos processos assistenciais e gerenciais, além da implantação de rotinas e protocolos. Com o envolvimento da alta administração até o menor nível operacional, a instituição também intensificou as atividades para melhoria contínua e segurança do paciente.
Segundo Viviane Duarte - Enfermeira da Qualidade do HSCSL, com a certificação ONA o objetivo é aprimorar a qualidade nos serviços prestados e a segurança nos processos, na expectativa de conquistar espaço e de crescer orientada para o desempenho organizacional, promover o atendimento eficaz à população e a competição de mercado. "O processo tem contribuído para o aprimoramento na prestação da assistência e no comportamento da equipe - pilares essenciais para a conquista dos objetivos institucionais".

Certificações válidas ONA crescem cerca de 10% em três meses


A Organização Nacional de Acreditação (ONA) homologou 34 processos de agosto até o início de outubro, entre novas certificações e recertificações de serviços de saúde em todo o País. O número indica um crescimento de quase de 10% em relação às certificações válidas, que atingiu um total de 324 instituições no mesmo período. Outro resultado positivo é que a rede de serviços homologados incluiu a certificação inédita de instituições de saúde no Mato Grosso do Sul e Amapá, que agora se somam aos outros 20 estados brasileiros que já têm instituições acreditadas pelo Sistema Brasileiro de Acreditação - SBA/ONA.
No total foram concedidas 13 novas certificações, entre as quais um Selo de Qualificação e 20 recertificações, incluindo um up-grade (mudança de Nível de Qualidade). São Paulo foi o estado com o maior número de homologações, com 16 acreditações concedidas; seguido por Minas Gerais, com seis; Bahia, com três e Rio de Janeiro, com duas. Além do Distrito Federal, Amapá e Mato Grosso do Sul, os estados do Rio Grande do Norte, Pará, Espirito Santo e Santa Catarina também tiveram uma homologação cada.
Entre os novos serviços certificados e os que foram recertificados, onze estão no Nível I (Acreditado); doze estão no Nível II (Acreditação Plena) e dez no Nível III (Acreditado com Excelência). São quinze hospitais; dois hemocentros, seis laboratórios e 10 clínicas ou centros de serviços oncológicos. Além disso, foi fornecido mais um Selo de Qualificação, sistema de certificação atribuído pela primeira vez em julho deste ano para os serviços para a saúde. O Hospital São Lucas, de Ribeirão Preto/SP, que atingiu o Nível III em setembro último, recebeu a 7ª recertificação SBA/ONA e é uma das Organizações Prestadoras de Serviço de Saúde (OPSS) mais antigas acreditadas pelo SBA/ONA
   
O processo de acreditação é realizado atualmente através de sete IACs – Instituições Acreditadoras Credenciadas: DNV (Det Norske Veritas); DICQ (Sistema Nacional de Acreditação Ltda); FCAV (Fundação Carlos Alberto Vanzolini); GL (Germanischer Lloyd Certification); IAHCS (Instituto de Acreditação Hospitalar e Certificação em Saúde); IPASS (Instituto de Planejamento e Pesquisa para Acreditação em Serviços de Saúde); e IQG (Instituto Qualisa de Gestão).

sábado, 10 de novembro de 2012

Gerenciamento de Risco traz mais segurança no atendimento à saúde



O gerenciamento de risco faz parte da metodologia para a acreditação da ONA – Organização Nacional de Acreditação, como medida de prevenção a ocorrências em todos os âmbitos que envolvem os serviços de saúde. Sua aplicação pelas equipes assistenciais e administrativas de hospitais, clínicas, laboratórios, entre outros, traz reflexos diretos na qualidade do atendimento, evitando ou prevenindo danos ao paciente, bem como à própria instituição de saúde.
As experiências do Hospital Quinta D'Or, do Rio de janeiro/RJ e do Hospital Biocor, de Nova Lima/MG, dois hospitais Acreditados com Excelência (Nível 3) pelo Sistema Brasileiro de Acreditação-ONA, demonstram como funciona e os resultados obtidos com o Gerenciamento de Riscos.
“Para ser eficaz, o gerenciamento de risco envolve um conjunto de ações voltadas para a identificação e classificação dos riscos inerentes a uma determinada atividade, permitindo prevenir sua ocorrência ou mitigar os danos, quando for impossível evitar sua ocorrência”, resume o médico Guilherme Villa, diretor do Hospital Quinta D´Or. Segundo ele, a metodologia surgiu no mercado financeiro, mas foi incorporada a área de saúde há 30 anos, devido ao crescimento e evolução da complexidade dos hospitais, com o objetivo de proteção contra perdas.
“No início a preocupação das instituições era voltada para as consequências dos erros e não para prevenção. Atualmente a gestão de riscos na área de saúde tem ênfase muito maior na identificação, mapeamento e acompanhamento das atividades, baseado em uma política preventiva, corretiva e contigencial, com foco na redução de danos”.
No caso do hospital carioca, a instituição adotou o gerenciamento de risco como politica de gestão de qualidade, envolvendo o processo de identificação, análise, estratificação e tratamento. O conceito de “evento sentinela” também é utilizado na ocorrência de algum dano, servindo para o aprendizado institucional e desencadeando medidas com o objetivo de criar barreiras para evitar sua reincidência.
Para o médico Mário Vrandecic, diretor administrativo do Hospital Biocor, “as organizações de todos os tipos e tamanhos enfrentam influências e fatores internos e externos que tornam incertos os objetivos ou resultados esperados e o gerenciamento de risco visa sua minimização ou impede sua ocorrência”. Ele explica que, por isso, o Biocor desenvolve uma gestão com o foco nos riscos, “de forma a permitir a sustentabilidade da instituição, agregando benefícios aos pacientes, colaboradores e corpo clínico, entre outros interessados na assistência à saúde”.
Na opinião dos dois médicos, o gerenciamento de riscos prevê a participação de todos os segmentos, da administração ao corpo clínico, para que os resultados atinjam seus objetivos.
“A certificação força a transição de uma gestão errática e dependente de desempenhos pessoais para um modelo de gestão focado em processos e que promova o crescimento sustentável. Em decorrência, temos um aprendizado institucional constante, com foco muito intenso na segurança do paciente”, garante o diretor do Quinta D’Or.
No Biocor, segundo o diretor administrativo, essa visão estratégica está presente desde o início das atividades, em 1985, mas a Acreditação ONA intensificou a cultura de atuar com base em processos bem estruturados, integrados e previamente definidos. No caso do Hospital Quinta D’Or, com 11 anos de existência, a qualidade assistencial também faz parte da política da instituição, “porém, a sistemática de registro, gestão por indicadores, ciclos de melhoria contínua e um olhar profissional sobre os riscos e as possíveis ações para mitiga-los surgiram de fato após a acreditação”, segundo Guilherme Villa.
  Entre os desafios para a Gestão de Qualidade e o gerenciamento de riscos, o diretor do Quinta D’Or inclui a capilarização dos conceitos envolvidos na promoção de uma assistência hospitalar. “Isso envolve quebras de paradigmas e mudanças de cultura extremamente arraigadas na formação dos profissionais”, avalia o médico. Ele esclarece que a nova postura exige do médico divisão de papeis e de responsabilidade com a qual não estava habituado, incluindo também liderança e criatividade para encontrar formas de comunicação que contemplem os diferentes níveis de compreensão de cada área envolvida na atividade.
“Apesar de não haver imposição de metodologias, com a acreditação somos forçados a definir e implementar um modelo de gestão focado na melhoria contínua dos processos. É um trabalho de médio e longo prazo e envolve a confiança entre liderança e liderados, além de uma abordagem que não foque a análise dos erros a partir do desempenho pessoal ou da responsabilização pelo erro, mas sim na revisão e melhoria sistemática dos processos e estrutura”, afirma Villa.
Mário Vrandecic explica que o gerenciamento dos riscos no Biocor é devidamente documentado e possui processos e procedimentos previamente definidos, totalmente integrados com o Sistema de Gestão. “Sua aplicação se inicia com a identificação, a análise, a avaliação e, em seguida, o tratamento dos riscos, com controles que minimizam seus efeitos até níveis aceitáveis dentro de padrões de segurança específicos em cada atividade”. Como estratégia de estimulo para o envolvimento e participação das equipes, a Instituição comunica e consulta as partes interessadas, monitorando e analisando criticamente os riscos e os seus mecanismos de controle.
Na avaliação de Guilherme Villa, o gerenciamento de riscos é uma fonte valiosa para tomada de decisão, dando maior segurança à instituição, parceiros, colaboradores, e pacientes com melhoria na comunicação, gestão dos recursos e aperfeiçoamento nos sistemas de alerta de perigos. “Podemos observar resultados importantes de uma gestão voltada para a segurança através da redução da incidência de eventos sentinelas e de danos. No Quinta D’Or isso resultou em uma nítida modificação na curva de tendência dos índices de infecção da corrente sangüínea associada à utilização de cateter venoso, por exemplo”.
“Outro resultado está evidenciado no Time de Resposta Rápida (TRR), projeto com a finalidade de atender às intercorrências em pacientes fora do ambiente de UTI, identificando sinais de alerta que apontem para uma deterioração do quadro clínico, visando evitar que o doente necessite de tratamento intensivo. A partir dessa prática registramos uma significativa redução de transferência para ambiente de CTI”, garante.
Entre os resultados obtidos na Gestão de Riscos no Biocor, seu diretor destaca o estimulo à gestão proativa e a possibilidade de identificar e tratar os riscos na organização, melhorar as oportunidades de promover a locação e utilização eficaz dos recursos. “Outras melhorias observadas dizem respeito à eficácia e eficiência operacional; segurança e saúde, bem como à proteção do meio ambiente, prevenção de perdas e à gestão de incidentes”. Ele inclui, ainda, a aprendizagem organizacional, que se reflete na governança e na confiança entre as partes interessadas para a tomada de decisão e o planejamento da instituição.
“Todas as normas aplicadas no Biocor em que somos certificados, especialmente a ONA, formam um Sistema Integrado de Gestão, com uma cultura sedimentada na minimização dos riscos, nos direitos do paciente, na atuação profissional ética e responsável da assistência à saúde, no monitoramento por meio de indicadores e metas, entre outros tantos requisitos", conclui o médico.
n/d

n/d

Certificações válidas ONA crescem cerca de 10% em três meses


A Organização Nacional de Acreditação (ONA) homologou 34 processos de agosto até o início de outubro, entre novas certificações e recertificações de serviços de saúde em todo o País. O número indica um crescimento de quase de 10% em relação às certificações válidas, que atingiu um total de 324 instituições no mesmo período. Outro resultado positivo é que a rede de serviços homologados incluiu a certificação inédita de instituições de saúde no Mato Grosso do Sul e Amapá, que agora se somam aos outros 20 estados brasileiros que já têm instituições acreditadas pelo Sistema Brasileiro de Acreditação - SBA/ONA.
No total foram concedidas 13 novas certificações, entre as quais um Selo de Qualificação e 20 recertificações, incluindo um up-grade (mudança de Nível de Qualidade). São Paulo foi o estado com o maior número de homologações, com 16 acreditações concedidas; seguido por Minas Gerais, com seis; Bahia, com três e Rio de Janeiro, com duas. Além do Distrito Federal, Amapá e Mato Grosso do Sul, os estados do Rio Grande do Norte, Pará, Espirito Santo e Santa Catarina também tiveram uma homologação cada.
Entre os novos serviços certificados e os que foram recertificados, onze estão no Nível I (Acreditado); doze estão no Nível II (Acreditação Plena) e dez no Nível III (Acreditado com Excelência). São quinze hospitais; dois hemocentros, seis laboratórios e 10 clínicas ou centros de serviços oncológicos. Além disso, foi fornecido mais um Selo de Qualificação, sistema de certificação atribuído pela primeira vez em julho deste ano para os serviços para a saúde. O Hospital São Lucas, de Ribeirão Preto/SP, que atingiu o Nível III em setembro último, recebeu a 7ª recertificação SBA/ONA e é uma das Organizações Prestadoras de Serviço de Saúde (OPSS) mais antigas acreditadas pelo SBA/ONA
  
O processo de acreditação é realizado atualmente através de sete IACs – Instituições Acreditadoras Credenciadas: DNV (Det Norske Veritas); DICQ (Sistema Nacional de Acreditação Ltda); FCAV (Fundação Carlos Alberto Vanzolini); GL (Germanischer Lloyd Certification); IAHCS (Instituto de Acreditação Hospitalar e Certificação em Saúde); IPASS (Instituto de Planejamento e Pesquisa para Acreditação em Serviços de Saúde); e IQG (Instituto Qualisa de Gestão).

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ONA inicia certificação de Serviços Odontológicos no Brasil


A EXPECTATIVA É QUE A IMPLEMENTAÇÃO DE PROGRAMAS DA QUALIDADE CONTRIBUA PARA A MELHORIA DOS PROCESSOS E DISSEMINE A GESTÃO DE RISCO NO SETOR DE ODONTOLOGIA
A ONA – Organização Nacional de Acreditação acaba de lançar mais um manual, ampliando sua área de atuação para a Odontologia. A apresentação no novo manual foi feita em workshop que reuniu avaliadores do Sistema Brasileiro de Acreditação – ONA, na última  segunda-feira, 20 de agosto, na sede da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, em São Paulo.

A importância da iniciativa pode ser medida pelo tamanho do universo profissional, com cerca de 240.000 cirurgiões-dentistas em atividade em todo o País, mais de 33.500 organizações prestadoras de assistência odontológica e um total de aproximadamente 362.000 trabalhadores no setor, considerando também atendentes, auxiliares e técnicos, segundo dados do Conselho Federal de Odontologia. Até agora não exisitia nenhuma certificação dirigida a estes serviços e a iniciativa da ONA, segundo Luís Plínio de Toledo, presidente da Organização, é uma resposta à própria categoria que reivindicava a inclusão dos serviços odontológicos entre as atividades de saúde Acreditadas.
"A ONA iniciou o processo de acreditação nos hospitais (a exemplo do que ocorre em todo o mundo), para depois abranger as especialidades da área médica e, agora, com uma base sustentável e bastante sólida, estender o processo para os serviços odontológicos”, resume o presidente da ONA.
Segundo a assessora da ONA, Maria Carolina Moreno, a acreditação é utilizada pelas organizações de saúde para implementar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. “O processo de adequação pode levar alguns anos, dependendo da capacidade e condições das organizações de saúde que, mesmo depois de certificadas, se obrigam a avaliações regulares”.
O procedimento precisa ser revalidado em períodos que variam de dois a três anos – com o prazo de dois anos para a acreditação em nível 1 (Acreditação), ou nível 2(Acreditação Plena) e três anos, para os acreditados nível 3 (Acreditação com Excelência).
Entre as vantagens da Acreditação, Maria Carolina cita a organização de processos; redução de custos; padronização de procedimento de segurança; redução de riscos; melhoria da qualidade da assistência e aprimoramento de gestão.
 “Para ter sucesso no empreendimento, é preciso também estabelecer a cultura da melhoria contínua, com a busca voluntária da qualidade e o processo de construção de equipe que inclua a educação desde a alta administração até o nível operacional, se consideramos que competitividade exige conscientização e iniciativa”, avalia Carolina.
Em atividade há quase 15 anos, a ONA já realiza acreditação de diversos serviços de saúde, como hospitais; laboratórios; hemoterapia; diagnóstico por imagem, radioterapia e medicina nuclear; home care; ambulatórios e pronto atendimentos; serviços de nefrologia e terapia renal substitutiva e programas de saúde e prevenção de riscos. Além disso, a ONA criou o Selo de Qualificação de Serviços para a Saúde como processamento de roupa para serviços de saúde; serviços de dietoterapia; serviços de esterilização e reprocessamento de materiais e serviços de manipulação.
O novo manual foi elaborado por um Comitê Técnico, formado ainda no final de 2011 por representantes da ONA, IACs (Instituições Acreditadoras Credenciadas) e ABCD (Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas), além de professores de Odontologia e outros profissionais da área. O processo incluiu consulta pública, quando a minuta do manual ficou disponível por um período de 30 dias no Portal da ONA.
O manual já está disponível para aquisição no portal ONA, podendo ser acessado através do link: https://www.ona.org.br/Produtos/14/Normas-e-Manuais.

Gerenciamento de Risco traz mais segurança no atendimento à saúde


O gerenciamento de risco faz parte da metodologia para a acreditação da ONA – Organização Nacional de Acreditação, como medida de prevenção a ocorrências em todos os âmbitos que envolvem os serviços de saúde. Sua aplicação pelas equipes assistenciais e administrativas de hospitais, clínicas, laboratórios, entre outros, traz reflexos diretos na qualidade do atendimento, evitando ou prevenindo danos ao paciente, bem como à própria instituição de saúde.
As experiências do Hospital Quinta D'Or, do Rio de janeiro/RJ e do Hospital Biocor, de Nova Lima/MG, dois hospitais Acreditados com Excelência (Nível 3) pelo Sistema Brasileiro de Acreditação-ONA, demonstram como funciona e os resultados obtidos com o Gerenciamento de Riscos.
“Para ser eficaz, o gerenciamento de risco envolve um conjunto de ações voltadas para a identificação e classificação dos riscos inerentes a uma determinada atividade, permitindo prevenir sua ocorrência ou mitigar os danos, quando for impossível evitar sua ocorrência”, resume o médico Guilherme Villa, diretor do Hospital Quinta D´Or. Segundo ele, a metodologia surgiu no mercado financeiro, mas foi incorporada a área de saúde há 30 anos, devido ao crescimento e evolução da complexidade dos hospitais, com o objetivo de proteção contra perdas.
“No início a preocupação das instituições era voltada para as consequências dos erros e não para prevenção. Atualmente a gestão de riscos na área de saúde tem ênfase muito maior na identificação, mapeamento e acompanhamento das atividades, baseado em uma política preventiva, corretiva e contigencial, com foco na redução de danos”.
No caso do hospital carioca, a instituição adotou o gerenciamento de risco como politica de gestão de qualidade, envolvendo o processo de identificação, análise, estratificação e tratamento. O conceito de “evento sentinela” também é utilizado na ocorrência de algum dano, servindo para o aprendizado institucional e desencadeando medidas com o objetivo de criar barreiras para evitar sua reincidência.
Para o médico Mário Vrandecic, diretor administrativo do Hospital Biocor, “as organizações de todos os tipos e tamanhos enfrentam influências e fatores internos e externos que tornam incertos os objetivos ou resultados esperados e o gerenciamento de risco visa sua minimização ou impede sua ocorrência”. Ele explica que, por isso, o Biocor desenvolve uma gestão com o foco nos riscos, “de forma a permitir a sustentabilidade da instituição, agregando benefícios aos pacientes, colaboradores e corpo clínico, entre outros interessados na assistência à saúde”.
Na opinião dos dois médicos, o gerenciamento de riscos prevê a participação de todos os segmentos, da administração ao corpo clínico, para que os resultados atinjam seus objetivos.
“A certificação força a transição de uma gestão errática e dependente de desempenhos pessoais para um modelo de gestão focado em processos e que promova o crescimento sustentável. Em decorrência, temos um aprendizado institucional constante, com foco muito intenso na segurança do paciente”, garante o diretor do Quinta D’Or.
No Biocor, segundo o diretor administrativo, essa visão estratégica está presente desde o início das atividades, em 1985, mas a Acreditação ONA intensificou a cultura de atuar com base em processos bem estruturados, integrados e previamente definidos. No caso do Hospital Quinta D’Or, com 11 anos de existência, a qualidade assistencial também faz parte da política da instituição, “porém, a sistemática de registro, gestão por indicadores, ciclos de melhoria contínua e um olhar profissional sobre os riscos e as possíveis ações para mitiga-los surgiram de fato após a acreditação”, segundo Guilherme Villa.
  Entre os desafios para a Gestão de Qualidade e o gerenciamento de riscos, o diretor do Quinta D’Or inclui a capilarização dos conceitos envolvidos na promoção de uma assistência hospitalar. “Isso envolve quebras de paradigmas e mudanças de cultura extremamente arraigadas na formação dos profissionais”, avalia o médico. Ele esclarece que a nova postura exige do médico divisão de papeis e de responsabilidade com a qual não estava habituado, incluindo também liderança e criatividade para encontrar formas de comunicação que contemplem os diferentes níveis de compreensão de cada área envolvida na atividade.
“Apesar de não haver imposição de metodologias, com a acreditação somos forçados a definir e implementar um modelo de gestão focado na melhoria contínua dos processos. É um trabalho de médio e longo prazo e envolve a confiança entre liderança e liderados, além de uma abordagem que não foque a análise dos erros a partir do desempenho pessoal ou da responsabilização pelo erro, mas sim na revisão e melhoria sistemática dos processos e estrutura”, afirma Villa.
Mário Vrandecic explica que o gerenciamento dos riscos no Biocor é devidamente documentado e possui processos e procedimentos previamente definidos, totalmente integrados com o Sistema de Gestão. “Sua aplicação se inicia com a identificação, a análise, a avaliação e, em seguida, o tratamento dos riscos, com controles que minimizam seus efeitos até níveis aceitáveis dentro de padrões de segurança específicos em cada atividade”. Como estratégia de estimulo para o envolvimento e participação das equipes, a Instituição comunica e consulta as partes interessadas, monitorando e analisando criticamente os riscos e os seus mecanismos de controle.
Na avaliação de Guilherme Villa, o gerenciamento de riscos é uma fonte valiosa para tomada de decisão, dando maior segurança à instituição, parceiros, colaboradores, e pacientes com melhoria na comunicação, gestão dos recursos e aperfeiçoamento nos sistemas de alerta de perigos. “Podemos observar resultados importantes de uma gestão voltada para a segurança através da redução da incidência de eventos sentinelas e de danos. No Quinta D’Or isso resultou em uma nítida modificação na curva de tendência dos índices de infecção da corrente sangüínea associada à utilização de cateter venoso, por exemplo”.
“Outro resultado está evidenciado no Time de Resposta Rápida (TRR), projeto com a finalidade de atender às intercorrências em pacientes fora do ambiente de UTI, identificando sinais de alerta que apontem para uma deterioração do quadro clínico, visando evitar que o doente necessite de tratamento intensivo. A partir dessa prática registramos uma significativa redução de transferência para ambiente de CTI”, garante.
Entre os resultados obtidos na Gestão de Riscos no Biocor, seu diretor destaca o estimulo à gestão proativa e a possibilidade de identificar e tratar os riscos na organização, melhorar as oportunidades de promover a locação e utilização eficaz dos recursos. “Outras melhorias observadas dizem respeito à eficácia e eficiência operacional; segurança e saúde, bem como à proteção do meio ambiente, prevenção de perdas e à gestão de incidentes”. Ele inclui, ainda, a aprendizagem organizacional, que se reflete na governança e na confiança entre as partes interessadas para a tomada de decisão e o planejamento da instituição.
“Todas as normas aplicadas no Biocor em que somos certificados, especialmente a ONA, formam um Sistema Integrado de Gestão, com uma cultura sedimentada na minimização dos riscos, nos direitos do paciente, na atuação profissional ética e responsável da assistência à saúde, no monitoramento por meio de indicadores e metas, entre outros tantos requisitos", conclui o médico.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Gestão de Qualidade e Gestão Estratégica

Gestão da qualidade é o pote de ouro no final do arco-íris, é o que toda empresa busca hoje para poder sobreviver neste mundo altamente globalizado e competitivo; dez entre dez empresas que procuram consultores externos têm, como pano de fundo, problemas de qualidade. Quase sempre problema de qualidade na gestão, mesmo quando o problema é detectado na qualidade do produto. Um bem implantado sistema de gestão da qualidade tem condições de resolver boa parte do problema, uma vez que o sistema se inicia lá atrás, na concepção do produto ou serviço. Mas não resolve totalmente, porque para isso precisaria se iniciar antes do antes. Muito mais lá atrás. Cinco minutos antes do nada. Na concepção inicial. Na estratégia.
Como vimos em artigos anteriores, toda estratégia acontece através de objetivos claros que podem ser atingidos a curto ou longo prazo. É através deles que se direciona melhor a necessidade de ações estratégicas, que permeiam todos os níveis de uma empresa. Para isso precisamos organizar todas as informações de que dispomos e nos concentrarmos naquelas que são realmente estratégicas e fundamentais para o cumprimento do propósito da empresa, Uma vez feito isso, ficará claro que alguns objetivos e fatores são críticos para o sucesso e, por isso mesmo, são conhecidos como Fatores Críticos de Sucesso.
Estes fatores revelam os principais aspectos cujo desempenho pode afetar positiva ou negativamente o sucesso de uma empresa. Entretanto, os fatores não são os mesmos para todas as organizações, pois cada uma tem um momento e um contexto empresarial distinto. Por exemplo, uma empresa que esteja passando por uma reestruturação financeira motivada por alto nível de endividamento, pode ter como um dos fatores críticos de sucesso a renegociação de prazos de pagamento com os fornecedores. Ou seja, os fatores críticos de sucesso estão diretamente ligados aos objetivos estratégicos, pois eles podem ser considerados os “pontos-chaves” que definirão o sucesso ou o fracasso dos objetivos definidos, no momento da elaboração do mapa estratégico.
O trabalho do gestor, neste caso, é descobrir (será que o  termo adequado é este mesmo?), sei lá, buscar, encontrar... quais seriam os fatores que aumentam, em muito, as chances de sucesso da empresa e entenda a sua importância na prática. Óbvio que estes fatores mudam, dependendo do tipo de negócio da empresa, claro!  Em se tratando de uma empresa que tenha um produto no mercado poder-se-ia colocar quatro fatores que poderíamos considerar como essenciais para o sucesso do negócio: pesquisa e desenvolvimento, credibilidade, certificação e canal de vendas. Os fatores Credibilidade Certificação até poderiam ser fundidos num só, a priori, mas não é o caso porque a credibilidade é conquistada ao longo de um tempo e é resultado do somatório de todas os acertos, em todas as áreas da empresa, e é concedido pelo Deus Mercado, a entidade suprema.
Já a Certificação é resultado de um trabalho desenvolvido internamente. Se analisarmos individualmente cada um dos fatores veremos que o fator Pesquisa e Desenvolvimento tem um peso razoável, uma vez que as inovações tecnológicas sempre apontam novos caminhos na produção e na formulação de produtos. É possível, hoje, fabricar produtos cada vez mais segmentados, focados nas reais necessidades dos clientes. Além disso, novos equipamentos otimizam a produção, aumentando a eficiência e reduzindo preços. Já o fator Credibilidade não é simples de ser conseguido, pois além da conquista do cliente, as empresas precisam conseguir a credibilidade de outros stakeholders  (pessoas ou empresas envolvidas no setor) cujas opiniões, artigos ou divulgação dão maior sustentação. O fator Certificação dispensa maiores comentários pois funciona como um selo, um carimbo atestatório do sistema de qualidade do fabricante. O fator Canal de Vendas é crucial pois independentemente  do canal de vendas escolhido pelo fabricante (vendas diretas, via web, varejo e etc), é essencial que o cliente-usuário tenha fácil disponibilização ao produto, aonde ele estiver,  com uma periodicidade adequada ao seu consumo.
Por conta disso, é muito importante o momento de definição dos objetivos estratégicos e uma boa sugestão é fazê-la por meio de "pontos de vista", as chamadas perspectivas, as quais podem relacionar-se a:
  • a partes interessadas: força de trabalho, clientes, finanças (empresários/acionistas), sociedade;
  • a fornecedores;
  • a mecanismos internos de trabalho (de apoio, de produção, críticos);
  • ao diferencial competitivo: inovação, flexibilidade, aprendizado e crescimento;
Seriam quatro, as perspectivas a serem observadas:
Perspectiva financeira
verifica se a estratégia da empresa está contribuindo para a melhoria dos resultados financeiros. Essa perspectiva se relaciona com rentabilidade e crescimento;
Perspectiva do cliente
essa perspectiva ajuda a definir estratégias para o mercado e os segmentos onde se deseja competir, desenvolvendo medidas específicas para se alcançar os fatores realmente
importantes para os clientes. Essa perspectiva se relaciona com satisfação e lucratividade;
Perspectiva dos processos internos
essa perspectiva deve apontar os melhores processos para se ter condições de implementar as perspectivas anteriores;
Perspectiva do aprendizado e do crescimento
uma empresa só cresce a partir do aprendizado. Capacitação e investimentos são importantes trunfos para o sucesso;
Uma empresa, evidentemente, precisa ser lucrativa, seus gerentes precisam pensar, e pensar muito, mas essa lucratividade só será possível se os clientes e o mercado forem bem atendidos. Entretanto, isso só se dará através de melhores processos internos, por meio de colaboradores motivados e capacitados, com o suporte de um líder e de um sistema de informações adequados. Vamos conhecer as quatro perspectivas citadas de forma mais detalhada. Mas em outro artigo mais à frente.

Soluções de Qualidade em Saúde