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sábado, 4 de outubro de 2014

Entenda o que é Acreditação na Saúde e quais as Vantagens da implantação

A acreditação na saúde pode ser compreendida como uma metodologia de gestão, que preconiza, fomenta o entendimento estratégico, o consenso produtivo multiprofissional, a racionalização da utilização dos insumos e a otimização dos resultados dos estabelecimentos. Qualquer metodologia, seja ela nacional e/ou internacional, contribui para novos resultados para organização, sejam eles de segurança da assistência, redução de gastos em retrabalho ou melhoria da comunicação interna, com retenção de talentos.
O caminho para a implantação bem sucedida de um programa baseado nos padrões exigidos pelo manual, quer seja o manual da ONA (Organização Nacional de Acreditação), quer seja o manual da JCI (Joint Comission International), quer seja o Manual da NIAHO (National Integrated. Accreditation for Healthcare Organizations) passa pela estruturação de um processo educativo permanente e abrangente, que contemple todo o corpo de trabalhadores, compartilhando princípios, metas e objetivos a serem alcançados. Além disso, faz-se necessário o desenvolvimento de um sistema de informação e documentação claro e eficiente. Por fim, deverá existir na instituição, um processo formal de análise crítica dos processos, com evidências de melhorias cíclicas no histórico recente.
O primeiro impacto da organização é receber o Diagnóstico Organizacional, que aponta os dados, com base na análise SWOT, forçando a reflexão de um planejamento estratégico, que uma vez descrito, contribui para um alinhamento da direção com toda equipe operacional.
Em qualquer um dos modelos, a certificação não contempla a avaliação isolada de um serviço ou departamento.  Pela complexidade das ações assistenciais, ambos os modelos consideram como escopo válido de avaliação a instituição em sua totalidade. O motivo fundamental desta exigência de alto grau, que confere especial desafio às instituições que buscam uma certificação destas, consiste na constatação que as estruturas e processos da organização são de tal ordem interligados, que o funcionamento de um componente interfere em todo o conjunto e no resultado final.
Falando em fundamentos, é importante citar que estas metodologias estão sempre alinhadas com o propósito fundamental de dar maior segurança e conforto aos pacientes e aos colaboradores, promovendo o aumento gradativo da qualidade das organizações de saúde, através da mudança de hábitos, de procedimentos, posturas e expectativas, despertando sempre nos profissionais de todos os níveis e serviços um novo estímulo para avaliar seus processos, percebendo e aumentando as virtudes, reconhecendo e diminuindo as vulnerabilidades existentes.
Quando a organização começa a descrever seus processos, precisa refletir seus recursos materiais, equipamentos e humanos, rever plano de capacitação e educação permanente continuada, que fortalece o espírito de equipe na busca de melhorias. O foco da acreditação voltado para segurança e prevenção, faz com que colaboradores, fornecedores, organização e cliente, repense suas atividades, seus perigos e riscos, contribuindo para uma visão sistêmica e holística.
Em diversas situações de implantação de projetos de acreditação, ainda podemos encontrar funcionários inicialmente reticentes, desconfiados, desmotivados, mas que, com a aplicação de métodos pedagógicos adequados à pretensão de certificação, e a evolução do conhecimento sobre as boas práticas já existentes, em conjunto com a valorização pessoal e profissional decorrente do processo de educação permanente que deve existir, estes funcionários vão naturalmente demonstrando interesses em identificar e distinguir as discrepâncias existentes entre as práticas executadas e os padrões aceitáveis de qualidade preconizados pelos manuais.
É importante citar a importância da implementação de instrumentos administrativos que possibilitem encontrar meios para corrigir ou reduzir essas vulnerabilidades, abordando de forma profissional e impessoal os erros de processo percebidos, pois é assim que o colaborador passa a estudar suas tarefas e interações, pois quanto mais trabalharmos os processos, mais contribuição teremos das pessoas empenhadas nos resultados da organização.
Para o sucesso de um programa de qualidade, a organização de saúde deve estar permanentemente sob a análise crítica produtiva, e a mesma deve ser compartilhada e disseminada em todas as direções, redistribuindo recursos segundo as prioridades dos serviços, promovendo um equilíbrio constante entre os objetivos a curto, médio e de longo prazo.

Entendendo a certificação ONA: Organização Nacional de Acreditação


A ONA tem por objetivo geral, promover o desenvolvimento e a implementação de um processo permanente de avaliação e de certificação da qualidade dos serviços de saúde, permitindo o aprimoramento contínuo da atenção, de forma a garantir a qualidade na assistência à saúde de nossos cidadãos, em todas as Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde (OPSS) do país.
Para fins de acreditação, Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde são definidas como entidades jurídicas e legalmente constituídas, nas quais se prestam serviços de assistência médica, de tipo hospitalar, hemoterápico, laboratório, e patologia clínica, ambulatorial e pronto atendimento, diagnóstico e terapia, atenção primária à saúde, assistência domiciliar, e transporte especializado em saúde, de caráter estatal ou privado, com ou sem fins lucrativos, sob a responsabilidade de uma diretoria.
Esse processo de avaliação para certificação é de responsabilidade das Instituições Acreditadoras Credenciadas pela ONA. Essa atividade é desempenhada pela equipe de avaliadores das Instituições Acreditadoras Credenciadas, tendo como referência as Normas do Sistema Brasileiro de Acreditação e o Manual Brasileiro de Acreditação – ONA específico.
Dessa forma, é necessário preparar à organização para a acreditação conforme os requisitos estabelecidos pela ONA, considerando as legislações pertinentes e aplicáveis, sejam elas federais, estaduais ou municipais. Nesta fase, é fundamental o trabalho de equipe multidisciplinar, com definição de normas e critérios para garantir a operação da organização.
Tudo isso acontece seguindo alguns passos importantes para sua implementação como: Diagnostico Organizacional interno, Implantação de melhorias, Avaliação do avanço, Diagnóstico Organizacional externo, Nova Implantação de melhorias, Avaliação para a acreditação.
Sendo acreditado, a OPSS passa a estabelecer benefícios como:
·         Utilização racional dos recursos humanos e financeiros;
·         Transferência de tecnologia através da qualificação da equipe do projeto para a manutenção da certificação após a conclusão do projeto;
·         Construção de uma equipe para identificação e implementação de oportunidades de melhorias nos processos e serviços prestados;
·         Segurança para pacientes e profissionais; e
·         Qualidade da assistência prestada.
O nível ONA 1 determina: Identificação dos requisitos legais e técnicos mínimos para a existência no negócio, Identificação da cadeia de valor e processos-chave, Mapeamento e padronização dos processos primários e de apoio, Identificação dos riscos e definição de mecanismos de controle, Elaboração do Plano de Objetivos e Metas Organizacionais, Avaliar e implantação da Gestão por Competências, Ficha de indicadores básicos de qualidade e segurança, Protocolos clínicos conforme perfil.
O nível ONA 2 determina: Estabelecimento de mecanismos de controle para os processos-chave e de apoio, Gerenciamento do desempenho para processos-chave e de apoio, Estabelecimento de programa de educação continuada, Estabelecimento de grupos de melhoria de processos, Sistemática de análise crítica implantada.
O nível ONA 3 determina: Gerenciamento do desempenho para toda a organização, Estabelecimento de cronograma para Benchmarking dos processos/atividades críticas, Estabelecimento de cronograma para Análise Crítica dos Processos, Estabelecimento de Programa para condução de projetos de melhoria de processos.
Portanto, a proposta desta metodologia é a promoção da qualidade de vida da sociedade através da implantação e desenvolvimento de sistemas de gestão em organizações de saúde garantindo a sustentabilidade do negócio e a satisfação dos clientes, sejam eles particulares ou públicos.

Acreditação Internacional: JCI (Joint Comission International), quer seja o Manual da NIAHO (National Integrated Accreditation for Healthcare Organizations)


Ambas com reconhecimento da ISQua - International Society for Quality in Healthcare, que tem como missão inspirar, promover e apoia a melhoria contínua da segurança e qualidade dos cuidados de saúde em todo o mundo.
Seja qual for o seu nível de envolvimento nos cuidados de saúde, como um indivíduo ou como uma instituição e qualquer que seja o seu papel de cuidados de saúde, seja como médico, gerente, fabricante de política, acadêmica ou outra, se o seu mandato é de qualidade e segurança, em seguida, a ISQua oferece um ambiente de apoio, profissional para ajudá-lo a realizar de forma mais eficaz.
Tendo como parceria a Organização Mundial de Saúde (OMS) distribuir informações para alinhar toda a sua rede de parceiros na busca de segurança, melhores resultados técnicos e científicos. Ideias e soluções são desenvolvidas e trocadas. Esta cooperação abrange todo a extensão de cuidados, que vão desde sistemas e processos para a qualidade da assistência ao paciente e desempenho. Ele também inclui os pacientes e seus entes queridos que estão um recurso valioso à medida que se busca alcançar objetivos de excelência na prestação de cuidados de saúde e os resultados.
Faz com que, qualquer uma das metodologias estejam alinhadas, contribuindo para uma crescente evolução da gestão, ou seja, a organização que inicia na ONA, terá condições de evoluir para qualquer uma das outras metodologias, bastando acrescentar os requisitos de avaliação, complementando o foco da gestão da segurança.
É lógico que todas elas são independentes e não precisam necessariamente uma das outras, porém o processo lógico e de maior aproveitamento para organização, seria estabelecer uma hierarquia.

Ganhos de Qualidade em Saúde com a implantação da Acreditação


Quais são realmente os ganhos que a organização de saúde obtém quando busca, e conquista um selo de acreditação?
Sem dúvida, a busca pela qualidade e segurança nos serviços de saúde é hoje uma tendência mundial. Todas as organizações de saúde, seja de pequeno, médio ou grande porte estão sempre querendo aprimorar seus serviços, visando segurança, qualidade, conforto e atendimento de forma adequada para seus clientes. Estão sempre buscando uma melhoria permanente em seu sistema de gestão e assistência, com a integração harmônica das áreas médicas, tecnológicas, administrativas, econômica, assistencial, e, se for o caso, de pesquisa e desenvolvimento.
Dessa forma, os critérios para obter a acreditação, cobrem uma vasta gama de itens organizados em metas nacionais ou internacionais de segurança, direitos do paciente e dos familiares, acesso ao tratamento e continuidade, avaliação do paciente, cuidado ao paciente, educação do paciente e dos familiares, gerenciamento e uso de medicamentos, anestesia e cirurgia, capacitação dos recursos humanos, gerenciamento da comunicação e das informações (prontuário), vigilância e controle de infecção hospitalar; direção e capacitação das lideranças, gerenciamento e segurança das instalações, segurança do paciente e melhoria contínua da qualidade.
Sabendo o que a acreditação se refere, podemos identificar quais são realmente os ganhos que uma instituição de saúde obtém ao implantar um selo de acreditação:

·         Garantir aos seus clientes segurança, confiabilidade, e qualidade na assistência definidos por padrões previamente estabelecidos;
·         O processo padronizado, que auxiliar na melhoria dos recursos, procurando obter melhores resultados;
·         Utilizar da certificação como diferencial estratégico;
·         Garantir que o cliente é tratado com qualidade;
·         E isso acaba gerando uma confiança nos mesmos, fazendo com que ele utilize mais os serviços de uma instituição acreditada, do que uma que não apresenta nenhum selo de garantia da qualidade dos serviços prestado.
É importante destacar que, para gerar uma nova mentalidade em qualidade dos serviços de saúde, devem-se incrementar os programas de educação continuada para conhecimento e reflexão sobre os conceitos de qualidade. Os gestores, que são os principais interessados na acreditação, devem sempre avaliar internamente os processos adotados no hospital, para que mantenham o selo de acreditação conquistado, ou possam passar para níveis mais altos, e consequentemente mais reconhecidos.
A RD Consultoria acredita que a vantagem maior e mais eficaz é a de melhoria da Assistência. Com o advento da utilização de um conjunto organizado das atividades de enfermagem denominado processo assistencial, a equipe multidisciplinar precisa desenvolver protocolos, que se interagem e concomitantemente, um sistema formal que sirva de base para a avaliação da qualidade dessas ações.
Para isso acontecer no processo de acreditação, deve-se envolver todo o quadro de profissionais que atuam dentro da organização, para ajudar a desenvolver instrumentos de avaliação para a melhoria contínua da qualidade do atendimento aos pacientes e do desempenho organizacional.
Devemos ter em vista, os profissionais que lidam diretamente com os clientes todos os dias, e que com seu zelo são responsáveis pela melhora dos pacientes. Já que é através do atendimento destes profissionais que o paciente irá se sentir bem cuidado ou não, e isso faz com que sua recuperação seja mais breve ou demorada, que a assistência precisa ser melhorada com a implantação da acreditação.
Estes protocolos uma vez padronizados, além de permitir a avaliação, permite uma gestão com base nos eventos e indicadores, contribuindo para reuniões periódicas de interação de processos, com foco na melhoria continua dos serviços prestados. Tudo isso é importante para que o processo contínuo de melhorias diminua os erros e faça com que os pacientes tenham uma qualidade no atendimento além daquilo que eles esperavam.
Dentre as principais melhorias que ocorrem, podemos mencionar:
1.   Segurança para os pacientes e profissionais;
2.   Qualidade da assistência;
3.   Construção de trabalho em equipe;
4.   Útil instrumento de gerenciamento;
5.   Critérios e objetivos concretos adaptados à realidade brasileira;
6.   O caminho para a melhoria contínua.

Acreditamos que este artigo possa contribuir com os diretores e gestores das organizações que estão buscando respostas para se decidirem para um processo de acreditação. A RD Consultoria vem trabalhando há mais de 20 anos e responde hoje por mais de 52 processos acreditados, onde aprimora continuamente seu processo de implantação, treinamento e de capacitação da equipe multiprofissional.


Conheça mais sobre a RD Consultoria: https://www.youtube.com/watch?v=FMlswMGUbm4&list=UUgxsjIOieWnm21xc3KO46jg


Ronaldo Damaceno
Gestor Executivo em Saúde
CRA-SP: 6-000074
ronaldodamaceno@rdconsultoria.com.br
(11) 3901-6734 


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Gestão da Qualidade na Saúde



Na última década, o movimento pela qualidade, introduzido nos setores industrial e de serviços, expandiu-se para o setor de saúde. As teorias básicas de controle e melhoria de qualidade, formuladas por Joseph Juran e W. Edwards Deming, bem como as abordagens abrangentes de gerenciamento pela qualidade da Gestão pela Qualidade Total (TQM, sigla em inglês) e
Melhoria Contínua da Qualidade (CQI, sigla em inglês) estão ganhando espaço no funcionamento cotidiano de instituições de saúde em todo o mundo. A maioria dos gestores e formuladores de políticas na área da saúde vêem agora como imperativa a avaliação e o controle de qualidade, bem como as atividades de melhoria de desempenho. Existem divergências, entretanto, quanto ao método de avaliação da qualidade a ser utilizado, por conta dos diferentes interesses envolvidos: os da própria instituição de saúde, os dos órgãos reguladores/ normalizadores e os das companhias de seguros-saúde que pagam ou compram os serviços prestados. Além disso, existe uma expectativa crescente de que a comunidade, como um todo, e especialmente os pacientes devem ter acesso a informações de qualidade, para ajudá-los a escolher os serviços de saúde e os médicos para lhes prestarem atendimento.

A reforma da saúde e o movimento da qualidade

Vários países estão tentando gerir eficientemente o excesso de oferta e controlá-lo quanto ao custo total. Espera-se que isso possa ser feito sem redução na acessibilidade e na qualidade dos serviços de saúde. Novos mecanismos de pagamento estão sendo elaborados para introduzir maior eficiência na produção dos serviços e, consequentemente, reduzir os custos.

Por exemplo, sistemas centralizados que anteriormente financiavam todos os gastos com o funcionamento e prestação de serviços à população estão  implementando controles nos gastos por meio da introdução de mecanismos de pagamento vinculados aos diagnósticos, de seguro-saúde pago pelo empregador e dos seguros de saúde privados. Os sistemas centralizados também estão verificando que a eficiência observada nos serviços organizados em redes integradas é bem promissora. A privatização, normalmente voltada para atividades industriais, foi introduzida no setor de saúde, tanto na prática liberal quanto na propriedade privada de serviços de saúde.

Há também países onde os serviços de saúde estão sendo consolidados em grandes corporações, cujas ações são negociadas na Bolsa.

Também evidente em todo o mundo é o movimento para priorizar a prestação de serviços em ambulatórios e em clínicas localizadas na comunidade, pois são menos onerosos. A introdução do home care (cuidados domiciliares), dos serviços para pacientes crônicos (long-term care/hospice care) é uma resposta à necessidade de se utilizar as unidades de cuidados intensos de maneira mais eficiente, de reduzir o tempo de permanência e assim aumentar a produtividade dos leitos e serviços.


Em países desenvolvidos, como nos países em desenvolvimento, o expressivo custo dos serviços com grande frequência leva questões dessa área a serem incluídas na agenda legislativa e de regulamentação. As abordagens legislativas e normalizadora são tipicamente fragmentadas e resultam em mudanças que podem ou não resultar em melhorias. Raramente um país tem a oportunidade de reformar o seu sistema de saúde.

Assim, são comuns as mudanças graduais, frequentemente introduzidas ou obtidas por meio do microgerenciamento de elementos parciais do sistema. Este tipo de mudança é acompanhada de uma grande expectativa de que serão alcançadas melhorias no acesso aos serviços de saúde, maior eficiência na prestação de serviços e, em última instância, melhoria na saúde e bem-estar da população.

Pacientes, em geral, não têm informação suficiente para escolher efetivamente entre mudanças repetidas. À medida que informações de todos os tipos se ornam mais acessíveis, a expectativa é de que isto também ocorra para as informações na área da saúde. São necessárias informações que ajudem os indivíduos a identificar os serviços e os profissionais que atendem a certas expectativas de “qualidade.” Essas expectativas podem estar relacionadas à infraestrutura (“Onde existe um serviço com aparelho de raios X?”),  processos de cuidados (“Qual o tempo de espera para ser atendido na clínica ou na Emergência?”) e resultados dos cuidados (“Será que o meu filho vai ficar bom?”). Informações objetivas que podem responder a essas indagações geralmente não estão disponíveis ao público e com frequência também não estão disponíveis sequer à unidade de saúde, profissionais de saúde e agências reguladoras.

O interesse crescente na avaliação da qualidade de serviços de saúde

Esse conjunto de fatores propiciou um clima no qual os responsáveis pela tomada de decisões, em todos os níveis, buscam dados objetivos de avaliação da qualidade sobre as instituições de saúde. O licenciamento, a acreditação e a certificação são abordagens de avaliação da qualidade existentes para atender às necessidades de informação sobre qualidade e desempenho.

Essas abordagens têm diferentes propósitos e diferentes capacidades. Escolher a abordagem indicada ou uma combinação delas exige uma análise cuidadosa das necessidades e das expectativas de quem procura as informações. Isto é válido tanto para um único hospital buscando acreditação quanto para um Ministério da Saúde que deseje estabelecer padrões mínimos de qualidade para licenciar unidades rurais de planejamento familiar.

Uma das primeiras etapas ao se estabelecer um sistema de avaliação de qualidade é determinar as necessidades que ele tem de atender para que se elabore ou se escolha o sistema mais eficiente possível. Como a avaliação da qualidade não é planejada para incluir todas as diferentes necessidades encontradas na maioria dos sistemas de saúde é fundamental que as limitações
do sistema sejam claramente identificadas, assim como as suas capacidades. Por exemplo, as exigências para licenciamento não incluem a avaliação da capacidade do serviço para iniciar e manter um programa de melhoria de desempenho; entretanto, as exigências para acreditação costumam identificar essa capacidade. Da mesma forma, apesar de os padrões da ISO 9000 abordarem o sistema de gestão de qualidade de uma instituição, o seu enfoque concentra-se mais no controle do processo e nas especificações do desenho do produto e menos na avaliação dos resultados; ao passo que este último é inerente a um sistema de acreditação. ISO são as iniciais de International Organization of Standardization (“Organização Internacional de Padronização”), uma federação não-governamental de órgãos nacionais de padronização de mais de 90 países, com sede em Genebra. Apesar de poder haver divergências de abordagens, na realidade os sistemas de avaliação para licenciamento, certificação e acreditação podem ter muitos elementos comuns.

Acreditação

A acreditação é normalmente um programa voluntário, patrocinado por uma organização nãogovernamental, no qual colegas treinados externamente avaliam a conformidade da instituição de saúde com padrões de desempenho preestabelecidos. A acreditação abrange a capacidade ou desempenho da instituição, não do profissional individual. Ao contrário do licenciamento, a acreditação enfoca estratégias contínuas de melhoria e alcance de padrões ótimos de qualidade e não apenas a conformidade a padrões mínimos destinados a para garantir a segurança pública.

Os padrões de acreditação são, via de regra, desenvolvidos por um consenso de especialistas em saúde, publicados, analisados e revistos periodicamente para ficarem atualizados com o progresso na área da qualidade de serviços de saúde, avanços tecnológicos e terapêuticos e mudanças na política de saúde. Dependendo do escopo e da filosofia do modelo específico de acreditação escolhido, os seus padrões podem comportar-se como um sistema, organizando-se em torno de funções e processos-chave centrados tanto no paciente quanto na instituição (por exemplo, avaliação do paciente, controle de infecções, garantia de qualidade e gerenciamento de informações.) alternativamente, os padrões podem ser agrupados por departamentos ou serviços dentro de uma instituição de saúde, como serviços de enfermagem, farmácia e radiologia.

Os principais objetivos da acreditação são:

- Melhorar a qualidade dos cuidados da saúde estabelecendo metas ótimas a serem atingidas ao se alcançar os padrões para organizações de saúde;
- Estimular e melhorar a integração e o gerenciamento dos serviços de saúde;
- Estabelecer um banco de dados comparativos de instituições de saúde;
- Reduzir os custos dos cuidados da saúde enfocando ou aumentando a eficiência e efetividade dos serviços;
- Oferecer educação e consultoria a instituições de saúde, gerentes e profissionais de saúde sobre estratégias de melhoria de qualidade e “melhores práticas” na área da saúde;
- Fortalecer a confiança do público na qualidade dos cuidados à saúde; e
- Reduzir os riscos associados a lesões e infecções em pacientes e membros do quadro de pessoal.

Para que se tome uma decisão de acreditação quanto à capacidade de uma instituição de saúde de atender padrões de desempenho publicados, uma equipe especializada na matéria ou avaliadores treinados fazem uma avaliação in loco em intervalos predeterminados, geralmente a cada dois ou três anos. Dependendo do planejamento e das normas do programa de acreditação,

Essas avaliações ou levantamentos in loco podem ser realizados notificando-se ou não antecipadamente a instituição. Existem vantagens e desvantagens em ambas as abordagens. Quando se comunicam à instituição de saúde as datas do levantamento, ela pode tomar medidas para que os gerentes-chave e membros do quadro de pessoal estejam presentes e disponíveis para participar do processo, promovendo assim oportunidades ótimas para consultas e educação com a equipe de avaliadores. Por outro lado, quando a instituição sabe as datas exatas em que o levantamento será feito, pode haver uma tendência da instituição em investir em um esforço de último minuto para “parecer bem” perante os avaliadores, como uma limpeza especial das instalações, dificultando à equipe de avaliadores determinar as práticas e o funcionamento habitual.

Independente da abordagem que se use ao se agendar uma avaliação in loco, uma equipe de avaliadores bem treinada e detalhista examinará além da superfície aparente para determinar se essa instituição de saúde atende a uma ampla série de padrões organizacionais e voltados a cuidados prestados aos pacientes.

Os avaliadores geralmente empregam uma variedade de estratégias de avaliação para determinar se a instituição de saúde atende a padrões relativos a sistemas e funções-chave, como cuidados a pacientes, controle de infecções, gerenciamento de ambiente, gerenciamento de recursos humanos e garantia de qualidade. Por exemplo, a equipe de levantamento pode analisar documentos escritos (como planos operacionais e orçamentários, normas e procedimentos para condutas clínicas, procedimentos operacionais padronizados para a realização de certos exames laboratoriais). Além de uma análise dos documentos, os avaliadores costumam entrevistar os dirigentes da instituição, médicos, funcionários e pacientes para determinar o desempenho e a conformidade da instituição com os padrões. Por exemplo, um avaliador pode querer entrevistar um paciente sobre o seu nível de satisfação com os cuidados prestados pela instituição, bem como pedir um retorno ao paciente sobre como a instituição poderia melhorar os seus serviços ou a prestação de cuidados. Os dirigentes, incluindo membros da direção e da administração da instituição, podem ser entrevistados sobre os processos empregados pela instituição e como são projetados para atender a padrões de planejamento, orçamento, atividades de garantia da qualidade e gerenciamento de recursos humanos. Os médicos podem ser entrevistados sobre processos de assistência a pacientes (por exemplo, avaliação de pacientes, uso de medicação, exames diagnósticos).

Os avaliadores da agência de acreditação normalmente visitam o prédio da instituição e as áreas de assistência, para avaliar os padrões relacionados com aspectos gerais de segurança do prédio, gerenciamento do lixo, limpeza em manutenção em geral, gerenciamento de equipamentos e suprimentos, controle de infecções, segurança contra incêndio e preparação para emergências. Serviços diagnósticos, como o departamento de radiologia e o laboratório, são também avaliados quanto à segurança, eficácia, controle de qualidade e gerenciamento de equipamentos.

Serviços de apoio, como nutrição, farmácia e reabilitação são também áreas incluídas no levantamento para acreditação de um hospital ou centro de saúde.


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Consulte a RD Consultoria: www.rdaca.com.br ou (11) 3901-6734




sábado, 15 de outubro de 2011

Evento Sentinela


O conceito de evento sentinela foi introduzido por Rutstein et alli. (1976) como a ocorrência de doença, invalidez ou morte desnecessária. Como desnecessária ou prevenível o autor considerou as condições que contam com tecnologia médica suficiente para evitá-las. Daí a tradução do conceito inicialmente proposto de evento sentinela como a ocorrência de doença, invalidez ou mortes evitáveis.

O mais importante na proposta é que a partir do conhecimento de cada um destes eventos se produza uma investigação para determinar como eventos similares podem ser prevenidos no futuro. Ao detalhar o processo que culminou com a ocorrência do evento sentinela, tenta-se detectar suas determinações, que podem estar desde o nível da alocação de recursos até o de falhas de processo ou de falta de utilização dos serviços de saúde por parte da população, e então implementar medidas corretivas.

O evento sentinela pode ser um caso único, ou ser definido como um coeficiente que não deve ser ultrapassado. Existe uma lista elaborada por um grupo de trabalho (Working Group on Preventable and Manageable Diseases) que pretende incluir todas as doenças, invalidez e mortes evitáveis, a partir da qual se pode eleger um conjunto de eventos sentinela (Rutstein, 1987).

Ampliando-se o conceito proposto, o evento sentinela pode ser definido como algo que não deve ocorrer se o serviço de saúde funcionar adequadamente. A partir de sua ocorrência desencadeia-se uma investigação para a detecção das falhas que tornaram o evento possível, visando sua correção de modo a garantir o funcionamento adequado do sistema de saúde.

Neste conceito ampliado podemos pensar também em eventos sentinela que não sejam somente os propostos inicialmente, como por exemplo, morte por qualquer causa não violenta sem assistência médica. Podemos também pensar em eventos sentinela para avaliação de aspectos específicos do processo, como uso de exames complementares, ou acesso, etc. A idéia básica é a coleta de informação a partir do fato negativo, do que foi previamente definido como o que não deve ocorrer.

Uma primeira vantagem da técnica de eventos sentinela para avaliação da qualidade da atenção médica é de ordem operacional, isto é, seu menor custo em termos de coleta de dados em relação a um detalhamento global da situação. Outras vantagens são: obrigar uma definição clara dos objetivos dos serviços de saúde em relação às condições de saúde da população e ser capaz de detectar ocorrências na população não coberta de fato pelos serviços de saúde. Ao definir um conjunto de eventos sentinela, os gerentes dos serviços de saúde passam a explicitar objetivos destes serviços em nível da saúde da população, mudando, portanto de uma óptica centrada na demanda para outra centrada na população. Ao se estabelecer, por exemplo, morte infantil por doenças diarréicas como evento sentinela propõe-se sua não ocorrência, e não apenas assistir adequadamente a demanda de crianças com diarréia. Por outro lado, ao se implantar um sistema de informação que detecte os óbitos na comunidade podem-se detectar eventos desconhecidos dos serviços de saúde, isto é, casos não incluídos na demanda do serviço por qualquer motivo.

Tomemos um exemplo, a título de exercício, para avaliar o quanto esta técnica nos traz de avanço na compreensão da situação em relação aos sistemas de informação de rotina: a assistência pré-natal, ao parto, o acompanhamento de crescimento e desenvolvimento, e a assistência à criança doente. Todas estas atividades fazem parte de uma cadeia que tem como um dos seus objetivos a redução da mortalidade infantil. A organização do sistema de informação existente dificilmente nos permite conhecer como se dá a articulação destes diferentes elos da cadeia. Tomando as mortes em menores de um ano como eventos sentinela, pode-se através da investigação de cada caso avaliar como se dá tal articulação, e quais as falhas que estão ocorrendo.

Tentando um exemplo concreto, imaginemos a ocorrência de um caso de tétano neonatal na periferia de um grande centro urbano. O sistema de informação, no que diz respeito à assistência à gravidez e ao parto, nos dá uma estimativa da cobertura da assistência pré-natal e ao parto e alguns indicadores frágeis de sua qualidade, como a concentração de consultas pré-natais. A investigação do evento sentinela — ocorrência de tétano neonatal — pode nos trazer informações não só quanto a possíveis falhas do processo de assistência médica, quanto permitir detectar grupos não assistidos, não cobertos. Neste exemplo, ocorreram ao menos duas falhas: mãe não imunizada contra tétano e contaminação do coto umbilical. Pode se tratar de paciente faltosa ao pré-natal (a Unidade de Saúde responsável teria tomado providências? Tal prática é parte de sua rotina?) que ao mesmo tempo não foi bem orientada nos cuidados com o recém-nato (rotina da maternidade?).

Mas pode se tratar também de parto domiciliar atendido por parteira em um caso sem nenhuma consulta pré-natal, indicando uma sub-população não coberta pelo sistema de saúde (a população não coberta pelo sistema de saúde na periferia dos grandes centros é certamente pequena, o que faz com que seja difícil detectá-la). Se refletirmos um pouco, nota-se que, no exemplo acima, para a detecção destes pontos de estrangulamento do sistema de saúde a partir da óptica tradicional do sistema de informação seria necessário um grande aumento do detalhamento da informação e a realização de inquéritos com base populacional, de muito maior custo do que a vigilância dos eventos sentinela.

A técnica de eventos sentinela parte, portanto da constatação da existência de uma falha no produto para a investigação das falhas de processo que contribuíram para o efeito negativo. Do mesmo modo que a técnica de marcadores é uma forma de detecção de problemas a serem corrigidos.

Segundo a ONA (Organização Nacional de Acreditação), o evento sentinela é qualquer evento imprevisto que pode resultar em dano para os clientes externos e internos da organização.

Para o CQH (Compromisso com a Qualidade Hospitalar), eventos sentinelas, são fatos indesejáveis no atendimento médico hospitalar com potencial de repercussão na mídia e/ou denúncia formal.

Qualquer variação significativa do processo caracterizada por risco aumentado de resultado adverso sério deve ser objeto de investigação.

Se a recorrência da mesma variação do processo puder ser associada a ³ 50% de chance de resultado adverso sério, esta variação deve ser considerada como evento sentinela.

Sua ocorrência requer atenção imediata. É resultado de ações erradas:

•          Medicamento administrado em dose inadequada;
•          Cirurgia realizada em membro errado.

Ou de ausência de ação:

•          Medicamento prescrito não administrado;
•          Morte fetal por demora na realização de cesárea.

Sua ocorrência gera dois desafios:

•          Compreender como e por que o evento ocorreu;
•          Prevenir a ocorrência do mesmo evento ou evento similar no futuro.

Embora o evento sentinela seja uma variação inesperada do processo, variação é inerente a todo processo. Para reduzir a variação, é necessário determinar a causa da mesma.

Causas comuns de variação:

•          Inerente a todo processo, é conseqüência da forma como o processo foi desenhado;
•          O processo que varia apenas devido a causas comuns é dito como ESTÁVEL.

Causas especiais de variação:

•          Circunstâncias ou eventos não usuais difíceis de serem antecipadas e que podem resultar em variação marcante;
•          Cirurgia realizada no local errado.

Mal funcionamento de equipamento freqüentemente é resultado de causas comuns de variação.

A causa direta ou proximal do evento sentinela pode ser um fator não controlável. Ex.: Óbito per-operatório devido à falta de energia elétrica e não funcionamento do gerador durante a cirurgia: fator não controlável pela equipe cirúrgica.

Classificação de acordo com 3 fatores críticos:

•          Processo: Ex.: erros de medicação, erros de diagnóstico, erros relacionados a equipamentos etc;
•          Resultado: Óbito, ausência de seqüela, seqüela temporária, seqüela permanente; Etiologia ou causalidade (causa raiz). Ex.: deficiência no treinamento dos profissionais, procedimento inadequado de administração de medicamentos etc.


Vigilância com base em Evento Sentinela

Esse tipo de fonte de informação pode ser utilizado em sistemas de vigilância de agravos que sejam identificados indiretamente por meio do que tem sido denominado evento sentinela de saúde.

O termo "evento sentinela" tem sido aplicado para eventos que podem servir de alerta aos profissionais da saúde a respeito da possível ocorrência de agravos preveníveis, incapacidades ou de óbitos possivelmente associados à má qualidade de intervenções de caráter preventivo ou terapêutico, que devem ser aprimorados.

Feldman & Gerber examinaram todos os certificados de óbitos de indivíduos que haviam morrido na cidade de Nassau, Estado de Nova York, com idades entre 18 e 74 anos, durante o período de janeiro de 1980 a dezembro de 1982. Os autores distribuíram os atestados conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID) e, utilizando uma lista de ocupações profissionais e de tipos de indústrias, classificaram os óbitos segundo relação de causas associadas ou determinadas por atividades profissionais.

Essa metodologia permite, ainda que com ressalvas, avaliar a importância de determinadas doenças profissionais ou associadas à ocupação como causa de óbito.


Notificação de Evento Sentinela

A notificação de eventos sentinelas é fundamental para o processo de melhoria contínua da qualidade, melhoria da assistência, para a segurança do paciente e para a segurança dos colaboradores.

A ocorrência de eventos sentinelas sinaliza a necessidade de melhorias no processo da organização e requer investigação imediata de suas causas.

A notificação dos eventos tem como objetivos: a melhoria dos processos assistenciais, a execução de medidas preventivas e visa garantir a segurança do paciente.

A ocorrência de um evento sentinela interpreta-se como um sinal de que a qualidade dos serviços pode estar necessitando de melhoria, e, conseqüentemente, estruturas e processos assistenciais estejam causando ou aumentando o risco de dano aos clientes.


Lista de Possíveis Eventos Sentinela

.   
- Mortes imprevistas de pacientes (elevação incidental da mortalidade/surtos de mortalidade);
- Cirurgia em paciente errado;
- Cirurgia em parte errada do corpo;
- Mortes relacionadas à falta/demora no atendimento;
- Mortes ou danos relacionados com procedimento de contenção mecânica de paciente;
- Suicídio de paciente internado;
- Troca de bebê após o nascimento;
- Rapto infantil;
- Agressão/estupro/homicídio;
- Incêndio;
- Explosão;
- Surtos de Infecção hospitalar;
- Agressão/ estupor/ Homicídio;
- Surtos de acidentes com pacientes (internação);
- Surtos de acidentes de trabalho;
- Queda e Troca de bebes;
- Fuga de paciente;
- Infiltração de quimioterápico;
- Material sem esterilizar aberto em sala cirúrgica;
- Morte materna.




Ronaldo Damaceno
Gestor de Qualidade
CRA-SP: 6-000074
RD Consultoria
CRA-SP: 8649
www.rdconsultoria.com.br
rd@rdconsultoria.com.br




sábado, 8 de outubro de 2011

Evento Adverso

Eventos Adversos

O termo evento adverso é definido como qualquer ocorrência médica nova e imprevista em um paciente ou indivíduo de investigação clínica que recebeu um produto farmacêutico e que não precisa necessariamente uma relação causal com esse tratamento.

Portanto, um evento adverso poder ser qualquer sinal, sintoma ou doença desfavorável e não-pretendido (incluindo um achado laboratorial anormal, por exemplo), temporalmente associado com o uso de um produto medicinal, seja este considerado ou não relacionado a esse produto.

O evento adverso pode ser:

uma nova enfermidade;
uma piora de um sinal ou sintoma da condição sob tratamento ou de uma enfermidade intercorrente;
um efeito da medicação em estudo, incluindo o comparador; ou
uma combinação de dois ou mais desses fatores.
Nenhuma relação causal com a medicação em estudo ou com o estudo clínico propriamente dito está implicada através do uso do termo “evento adverso”.

Os próprios procedimentos cirúrgicos não são eventos adversos; são medidas terapêuticas para condições que exigem cirurgia. A condição contra a qual se exige a cirurgia pode ser um evento adverso. As medidas cirúrgicas planejadas permitidas pelo protocolo de estudo clínico e a(s) condição(ões) que leva(m) a essas medidas não constituem eventos adversos.

Os eventos adversos caem nas categorias de “não sérios” e “sérios”.

Um evento adverso sério é qualquer ocorrência médica indesejável que, em qualquer dose:

Resulta em morte
É de risco à vida
Requer hospitalização com internação ou prolongamento de hospitalização existente
Resulta em deficiência/incapacidade persistente ou significativa, ou
Constitui uma anomalia congênita/defeito de nascença
O termo “de risco à vida”, na definição de “sério”, se refere a um evento em que o indivíduo ficou em risco de morte no momento do evento; não se refere a um evento que hipoteticamente poderia ter causado a morte se fosse mais severo.

Deve-se praticar um julgamento médico e científico na decisão do fato de o relatório acelerado ser apropriado em outras situações, tais como eventos médicos importantes que podem não ser imediatamente de risco à vida ou resultar em morte ou hospitalização, mas podem prejudicar o paciente ou exigir intervenção para evitar um dos resultados listados na definição acima. Esses eventos também devem ser considerados geralmente sérios.

Os exemplos de tais eventos são tratamento intensivo de broncoespasmo alérgico em sala de emergência ou em casa; discrasias sanguíneas ou convulsões que não resultam em hospitalização; ou desenvolvimento de dependência ou abuso de drogas.

O termo “severo” é usado freqüentemente para descrever a intensidade (severidade) de um evento específico (como em casos de infarto do miocárdio leve, moderado ou severo); no entanto, o evento propriamente dito pode ter um significado médico relativamente pequeno (tal como uma dor de cabeça severa). Isso não é a mesma coisa que “sério”, que está baseado no resultado do paciente/evento ou nos critérios de ação geralmente associados com eventos que representam ameaça à vida ou ao funcionamento do organismo de um paciente. A seriedade (não a severidade) serve como orientação para definir obrigações de relatório regulatórias.

Um evento adverso não sério é qualquer evento adverso que não preenche os critérios de evento adverso.

Relação com a Medicação em Estudo

DEFINITIVAMENTE – O evento adverso:

segue uma seqüência temporal razoável a partir da administração da droga
diminui após a descontinuação da droga (retirada)
é confirmada pelo reaparecimento da ração após a exposição repetida (reintrodução).
PROVAVELMENTE – O evento adverso:

segue uma seqüência temporal razoável a partir da administração da droga.
diminui após a descontinuação da droga (retirada),
não pode ser explicado razoavelmente pelas características conhecidas do estado clínico do indivíduo.
POSSIVELMENTE – O evento adverso:

segue uma seqüência temporal razoável a partir da administração da droga.
poderia ter sido produzido pelo estado clínico do indivíduo ou por outros modos de terapia administrados ao indivíduo.
IMPROVÁVEL – O evento adverso:

não segue uma seqüência temporal razoável a partir da administração da droga.
é facilmente explicado pelo estado clínico do indivíduo ou por outros modos de terapia administrados ao indivíduo.
NÃO RELACIONADA – O evento adverso é definitivamente produzido pelo estado clínico do indivíduo ou por outros modos de terapia administrados ao indivíduo.

Definição de Severidade

A severidade das alterações adversas nos sinais ou sintomas físico será classificada como:

Leve – desconforto transitório leve; sem limitação em atividade; sem terapia/intervenção médica exigida.

Moderada – limitação leve a moderada na atividade, pode-se precisar de alguma assistência; nenhuma ou mínima terapia/intervenção médica exigida.

Severa – limitação acentuada na atividade, exige-se geralmente alguma assistência; terapia/intervenção médica exigida, hospitalizações possíveis.

De risco à vida – limitação extrema na atividade, exige-se assistência significativa; terapia/intervenção médica significativa exigida, hospitalização ou cuidados intensivos prováveis.

Notificações de eventos adversos sérios ao CEP

Ao receber uma notificação sobre a ocorrência de eventos adversos sérios, o CEP deverá apreciar as condutas tomadas pelo pesquisador quanto à segurança dos sujeitos envolvidos e dar seu parecer após análise das respostas do pesquisador aos questionamentos que constam no formulário padronizado.

Mesmo se o evento não ocorreu em sujeitos desse centro, deve ser analisado pelo pesquisador e pelo CEP.

É papel do pesquisador assegurar medidas imediatas adequadas frente ao evento adverso sério ocorrido, cabendo ao CEP apreciar essa conduta e encaminhar a notificação junto com seu parecer à CONEP. Esta acompanhará a adequada implantação de medidas de proteção aos sujeitos e remeterá à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, as notificações para as ações de farmacovigilância e outras pertinentes.

domingo, 12 de junho de 2011

Os hospitais de excelência do Brasil

Filantropia, tecnologia e tradição

São Paulo - Na hora de tratar da saúde, muita gente se dispõe a viajar ou pagar o que for para conseguir o melhor tratamento. E para isso não é preciso sair do país. Apesar das graves distorções do sistema de saúde brasileiro, algumas instituições se destacam internacionalmente pela excelência. É o caso dos 16 hospitais listados a seguir, todos certificados por um dos maiores órgãos de acreditação de saúde do mundo.
São dez hospitais particulares, seis deles integrados ao SUS, e seis instituições públicas, quase todos no eixo Rio-São Paulo. Além de serem referência nas suas especialidades, esses centros têm em comum um selo da Joint Commission International (JCI), órgão norte-americano representado no Brasil pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA). A JCI certifica as instituições de saúde que se encaixam nos padrões de seu manual, elaborado por profissionais do mundo inteiro.
A certificação, válida por três anos, é concedida a pedido dos hospitais, que levam cerca de dois anos para se adaptar a todas as exigências de atendimento, gestão, infraestrutura e qualificação profissional. Por meio de visitas, entrevistas e análises de documentos, os avaliadores checam mais de 1.300 itens. Conheça a seguir os hospitais de excelência do Brasil, segundo a avaliação da JCI.
Hospital Albert Einstein (São Paulo, SP)
O hospital mantido pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein não é apenas um dos melhores do Brasil, mas também ocupa posição de excelência entre os principais centros de saúde da América Latina. Dono de um bom número de certificações, o Albert Einstein foi o primeiro hospital brasileiro a buscar uma acreditação da JCI, ainda em 1999. Seu centro de atendimento ao paciente com Acidente Vascular Cerebral (AVC) também foi certificado, dentro do programa Doenças ou Condições Específicas.
O Albert Einstein também tem forte atuação filantrópica, por meio do atendimento ambulatorial e educacional na comunidade de Paraisópolis, zona oeste da capital paulista. Como hospital de excelência credenciado ao SUS, o Einstein também desenvolve nove projetos em parceria com o Ministério da Saúde na área de doação, captação e transplante de órgãos e tecidos em todo o país.
Última acreditação: 4 de abril de 2009.

Hospital Sírio-Libanês (São Paulo, SP)

Outro integrante da constelação dos hospitais filantrópicos paulistanos de renome internacional, o Sírio-Libanês dispõe de um dos centros de oncologia mais completos da América Latina, além de centros de excelência de Tórax, Infectologia, Mastologia, Cardiologia, Dor, Parkinson, Distúrbios do Movimento, Fígado, Nefrologia, Acompanhamento da Saúde e Check-Up e Diálise. A entidade mantida pela Sociedade Beneficente de Senhoras do Hospital Sírio-Libanês também foi a primeira do país a inaugurar uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que atualmente destina 30% de seus leitos a pacientes com doenças de alta complexidade em estado crítico.
O hospital Sírio-Libanês também figura na lista das instituições filantrópicas de excelência do Ministério da Saúde. Entre os projetos frutos dessa parceria estão o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário, inaugurado em 2010, apto a atender transplantes de medula e pesquisas com células-tronco. O trabalho filantrópico do Sírio-Libanês também inclui ações como o atendimento ambulatorial e cirúrgico de crianças carentes e o desenvolvimento de atividades preventivas, culturais e de qualificação profissional à população de baixa renda.
Última acreditação: 14 de dezembro de 2007.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (São Paulo, SP)

Com 113 anos de vida, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz se destaca no tratamento de doenças circulatórias, digestivas, osteomusculares, oncológicas e é referência em atenção ao idoso. A atuação nessas áreas se dá por meio de centros de excelência, como o Centro de Envelhecimento Saudável, o Instituto da Próstata, o Centro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e o Centro de Diabetes.
Considerado pelo Ministério da Saúde uma das seis instituições filantrópicas de excelência, o hospital é parceiro do SUS no desenvolvimento de 12 projetos. Como parte disso, foi inaugurada em 2010 uma nova unidade, no bairro paulistano da Mooca, para atender a pacientes do SUS e abrigar programas de prevenção e tratamento de câncer colorretal e mamário.
Última acreditação: 7 de agosto de 2009.

Hospital Samaritano (São Paulo, SP)

O Hospital Samaritano importou, desde a sua fundação há 116 anos, padrões internacionais de medicina e enfermagem. Hoje, atende a cerca de 15.000 pacientes e realiza por volta de 11.000 cirurgias anualmente, em diversas especialidades. Apostando numa filosofia de "medicina humanizada", o hospital criou um Programa de Cuidados Paliativos, voltado para pacientes portadores de doenças terminais e seus familiares. Como um dos seis hospitais filantrópicos de excelência integrados ao SUS, o Samaritano desenvolve 20 projetos em parceria com o Ministério da Saúde, entre os quais a implantação de um programa assistencial a adolescentes que sofrem de dependência química.
Última acreditação: 29 de novembro de 2007.

Hospital Moinhos de Vento (Porto Alegre, RS)

Localizado na capital gaúcha, o Hospital Moinhos de Vento é o único de fora do eixo Rio-São Paulo a figurar nas duas listas de referência: a dos hospitais brasileiros acreditados pela JCI e a das instituições filantrópicas de excelência integradas ao SUS. Seus carros-chefes são o atendimento hospitalar e ambulatorial nas áreas de Neurologia e Neurocirurgia, Urologia, Cardiologia, Ortopedia e Trauma, Oncologia, Medicina Intensiva e cirurgias geral, ginecológica, cardiovascular, plástica e materno-infantil. O hospital conta com duas unidades e constrói um complexo hospitalar, em parceria com o Ministério da Saúde, para atender à população carente da região da Restinga, em Porto Alegre, por meio do SUS.
Última acreditação: 20 de setembro de 2008.

Instituto Nacional do Câncer - INCA (Rio de Janeiro, RJ)

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para prevenção e controle do câncer no país. Todas as suas cinco unidades assistenciais são acreditadas pela JCI - além dos quatro hospitais contabilizados nesta lista, o Centro de Transplante de Medula Óssea também foi certificado, em 2009.
As ações do INCA englobam desde assistência médico-hospitalar pelo SUS a pacientes com encaminhamento até prevenção e detecção precoce do câncer, formação de profissionais especializados, pesquisa e geração de informação epidemiológica. O instituto também conta com um dos mais modernos parques públicos de diagnóstico por imagem da América Latina, o Centro de Pesquisa em Imagem Molecular.
Últimas acreditações:
Hospital I: 27 de março de 2010
Hospital II: 6 de dezembro de 2008
Hospital III: 6 de dezembro de 2007
Hospital IV: 1 de dezembro de 2007


Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia - Into (Rio de Janeiro, RJ)

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) é um centro de excelência no tratamento de doenças e traumas ortopédicos de média e alta complexidade. Relativamente jovem, a instituição foi criada pelo Ministério da Saúde em 1994, como órgão normatizador de procedimentos de ortopedia no país, e hoje se destaca também pelo pioneirismo na área de ensino e pesquisa. Exemplos disso são os estudos voltados para a osteoporose masculina, medicina do esporte e regeneração óssea com a utilização de células-tronco.
Apesar de contar com um programa de gestão de filas, os candidatos às cirurgias mais procuradas (joelho, coluna, quadril e trauma) ainda se deparam com longas esperas. A capacidade cirúrgica, no entanto, deve crescer em até quatro vezes com a inauguração da nova sede do Into, já em construção.
Última acreditação: 30 de setembro de 2009.

Instituto Estadual de Hematologia - Hemorio (Rio de Janeiro, RJ)

O primeiro banco de sangue público do Brasil tornou-se o maior hemocentro do país, abastecendo 170 hospitais, de maternidades a grandes emergências, com 14.000 bolsas de sangue por mês. Ligado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, o Hemorio é hoje um centro de referência nacional em hematologia e hemoterapia, acumulando as funções de coordenação da hemorrede estadual, ensino, pesquisa e atendimento a pacientes com doenças hematológicas e doadores de sangue e medula óssea.
Última acreditação: 11 de setembro de 2010.

Hospital Copa D´Or (Rio de Janeiro, RJ)

Especializado em tratamentos de alta complexidade, o Copa D´Or normalmente ganha destaque Brasil afora quando uma personalidade carioca tem um problema grave de saúde. O hospital de Copacabana pertence à Rede D´Or, responsável pelos laboratórios de análises clínicas e de imagem Labs e por alguns dos hospitais particulares mais importantes do Rio de Janeiro.
Última acreditação: 8 de novembro de 2007.

Hospital Paulistano (São Paulo, SP)

O Hospital Paulistano pertence à Amil Participações é voltado para atendimentos de média e alta complexidade, sendo inclusive um dos poucos hospitais privados autorizados pelo Ministério da Saúde a realizar transplantes de rim. O Paulistano dispõe ainda de grupos multidisciplinares especializado no tratamento da dor, de doenças e lesões e pele e de asma. Outro diferencial da instituição é o foco nas boas acomodações de pacientes e acompanhantes. Como em outros hospitais da rede Amil, as áreas Vips têm ares de hotel cinco estrelas.
Última acreditação: 19 de junho de 2010.

Hospital TotalCor (São Paulo, SP)

Inaugurado há apenas quatro anos, o TotalCor já obteve, junto com o Hospital Paulistano, a acreditação da JCI em 2010. A instituição também pertence à Amil e é especializada em tratamentos cardiológicos de média e alta complexidade. Por ano, são cerca de 6.000 internações, 4.000 cirurgias e 18.000 atendimentos de emergência.
Última acreditação: 5 de junho de 2010.

Hospital São Vicente de Paulo (Rio de Janeiro, RJ)

Fundado em 1930 pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, o Hospital São Vicente de Paulo é um hospital geral, dispondo de serviços em todas as especialidades médicas, com atendimento emergencial, ambulatorial e cirúrgico. Para se adaptar às exigências de qualidade da JCI, o São Vicente investiu pesadamente em tecnologia, adquirindo equipamentos modernos e aprimorando práticas de identificação, por meio da adoção de itens como o prontuário eletrônico.
Última acreditação: 27 de agosto de 2008.

Soluções de Qualidade em Saúde